Os símios exercem um grande fascínio nos seres humanos. No imaginário fantástico, eles assumem como que uma identidade meio-humana. Para os filipinos que deram nome ao orangotango, este é chamado de “homem da floresta” (orang hutan).
A semelhança, atribuída por Charles Darwin a uma ancestralidade comum próxima entre humanos e outros símios (principalmente os hominídeos: chimpanzés, gorilas e orangotangos), nos faz enxergar os macacos como criaturas que se encontram entre a natureza e a humanidade, nem somente animais nem completamente humanos.
Sun Wukong, o Rei Macaco, da mitologia chinesa, por exemplo, era um macaco extremamente poderoso que, embora tivesse desenvolvido grande inteligência, habilidade e força, não conseguia deixar de ser travesso e ardiloso. Uma personalidade com que se poderia fazer uma analogia com Loki (na mitologia escandinava), Exu (no Candomblé) e o Diabo (no Cristianismo).
Além disso, quando tenta se transformar em ser humano, não consegue esconder sua verdadeira natureza, pois sua cauda (ou seu rosto, em algumas representações) não desaparece na metamorfose. Isso tudo o faz perceber que ele precisa ser fiel à sua natureza, ou seja, por mais que se esforce, não deixará de ser um macaco, como o são todos os seus irmãos da Montanha Flor e Fruto.
Em O Planeta dos Macacos (1968), de Franklin J. Shaffner, vemos algo parecido. A evolução que permitiu a chimpanzés, gorilas e orangotangos falar, andar e criar cultura não os privou de seus instintos. Ora, se o ser humano se criou a partir de símios parecidos com chimpanzés e se tornou um ser cuja natureza animal ainda é obscura em grande parte, os macacos dessa história deveriam também se tornar menos propensos a manifestar aspectos que os identificam de perto com os hominídeos dos quais descenderam. Tanto que, quando aparece um chimpanzé “normal”, eles logo o veem como um igual.
No mais recente Planeta dos Macacos (2001), Tim Burton acentua ainda mais essa característica, e temos a impressão de que os macacos apenas mudaram de tamanho e de capacidade de aprendizado. No entanto, essas mudanças não deveriam deixar de implicar modificações em todos os outros aspectos da vida social dos macacos.
Pois a cultura, para se reproduzir, precisa recriar os seres sobre os quais domina. Sem renunciar ou repirmir vários de seus instintos, os seres humanos não conseguiriam manter o modo de vida social que construiu em sua história, na qual se elaborou a ideia de que a animalidade deve ser abandonada.
Percebemos, no jogo Super Mario World, por exemplo, que os koopas se organizam como um clã ou uma família. Se por um lado há a tropa koopa composta por uma classe inferior de koopas, de aparência simples e sem grandes poderes especiais, há os koopas de elite, como uma classe nobre, cujos membros possuem espinhos nas carapaças e poderes especiais, como cuspir fogo e subir paredes. Koopa aparece como um sobrenome dessa classe nobre: Bowser Koopa, Ludwig von Koopa, Wendy Koopa e outros mais.
Temos, de um lado, os koopas como um povo conquistador e tirano, cuja organização se assemelha à de um império. Do outro lado, os cogumelos se organizam numa pacata monarquia que mal consegue se defender dos invasores e que dependem de um herói (Super Mario) para libertá-los.
Em plena Guerra Fria, um extraterrestre vem à Terra convocar uma reunião com todos os líderes do planeta, para discutir a ameaça nuclear que as briguinhas da raça humana representa para a humanidade e para povos de outros planetas. Mal-interpretado, ele sofre as consequências daquilo que veio erradicar: a imaturidade belicista do Homo sapiens belicosus.
No hilário